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cinema ação

A obra prima do cinema de ação moderno john wick 2 chegou à plataforma oficial do app

A evolução do cinema de ação nas últimas décadas criou um divisor de águas entre o uso excessivo de computação gráfica e o retorno à fisicalidade visceral dos dublês e efeitos práticos. Para os apreciadores dessa segunda vertente, que valoriza a coreografia real e a tensão palpável, a oportunidade de assistir a john wick: um novo dia para matar em plataformas oficiais e gratuitas é um verdadeiro presente.

O reencontro histórico: O Rei de Bowery e o Exilado

Para os fãs de ficção científica e cultura pop, este filme oferece um momento de nostalgia pura que vai além da trama principal: a reunião entre Keanu Reeves e Laurence Fishburne. Anos após terem protagonizado a trilogia Matrix como Neo e Morpheus, os dois atores voltam a dividir a tela em uma dinâmica de poder fascinante. Fishburne interpreta o Rei de Bowery, um líder do submundo que comanda uma rede de inteligência disfarçada entre a população de rua de Nova York, utilizando pombos correio e mendigos como seus olhos e ouvidos, em contraste com a tecnologia de ponta da Alta Cúpula.

A interação entre os dois personagens é carregada de respeito mútuo e uma tensão teatral. Enquanto Wick representa a elite dos assassinos, vestindo ternos italianos à prova de balas, o Rei de Bowery representa o poder das ruas, sujo e invisível. A atuação de Fishburne traz uma gravidade shakespeariana para o filme, elevando o roteiro. Ter acesso a esse diálogo em um streaming de qualidade permite notar as sutilezas nas expressões dos atores, que comunicam uma história compartilhada sem a necessidade de longas exposições, presenteando o público com um “easter egg” cinematográfico de peso.

A sinfonia silenciosa: O tiroteio no metrô

Uma das sequências mais inventivas e elogiadas pela crítica especializada ocorre no metrô de Nova York e envolve o protagonista e seu rival, Cassian, interpretado pelo rapper e ator Common. O que diferencia essa cena de qualquer outro tiroteio genérico é o uso do “silêncio”. Os dois assassinos caminham em meio à multidão de civis, disparando um contra o outro com pistolas equipadas com silenciadores, sem que ninguém ao redor perceba o combate mortal que está acontecendo a poucos metros de distância.

Essa cena é uma mistura brilhante de tensão e humor negro. O diretor brinca com a ideia de que os habitantes da cidade grande estão tão absortos em suas próprias rotinas que ignoram a violência ao seu redor. A coreografia é contida e precisa, focada na furtividade e na etiqueta profissional entre dois mestres do ofício. Após o confronto, a pausa para uma bebida no bar do hotel demonstra o código de conduta bizarro que rege esse universo. Assistir a esses momentos com áudio de alta fidelidade é essencial para ouvir o som abafado dos disparos e entender a ironia da situação, provando que a ação não precisa ser barulhenta para ser impactante.

Abertura veicular: O fechamento de um ciclo

Diferente de muitas sequências que demoram a engrenar, este longa-metragem começa com uma perseguição de carros brutal que serve para fechar as pontas soltas do filme anterior. A busca pelo Ford Mustang Mach 1 roubado não é apenas uma cena de ação; é uma declaração de intenções. O protagonista utiliza o veículo como uma arma de impacto, destruindo a lataria e utilizando a inércia para golpear os inimigos. A direção opta por mostrar o carro sendo amassado e quebrado, fugindo da estética de “carro indestrutível” comum em Hollywood.

Essa sequência estabelece o tom de exaustão física que permeará toda a obra. O espectador vê o herói sendo atropelado, jogado contra paredes e sangrando antes mesmo dos créditos iniciais terminarem. A “car-fu” (luta com carros) exige uma coordenação precisa entre a equipe de dublês e os motoristas. A clareza da imagem no streaming oficial permite que o público veja que é realmente Keanu Reeves atrás do volante em muitas dessas manobras, validando o compromisso do ator com o realismo e aumentando a imersão na perigosa missão de recuperação do veículo.

O contraste operístico em Roma: Alta cultura e barbárie

A missão que leva o personagem à Itália introduz um contraste visual deslumbrante entre a alta cultura e a violência primitiva. A tentativa de assassinato de Gianna D’Antonio ocorre durante um concerto de rock/ópera nas antigas ruínas das Termas de Caracala. A justaposição da música clássica e eletrônica com o tiroteio que se segue nas catacumbas escuras cria uma atmosfera gótica e vibrante. A iluminação do show, com feixes de luz cortando a escuridão das ruínas, transforma o cenário em um palco de batalha surreal.

O design de produção nesta parte do filme é meticuloso. Vemos a elegância das festas da elite criminosa, com seus rituais de coroação e vestimentas luxuosas, sendo subitamente invadida pela brutalidade tática de Wick. A fuga pelas catacumbas, onde o protagonista posicionou estrategicamente armas de diferentes calibres, funciona como uma fase de videogame perfeitamente planejada. A variedade de ambientes — do palco iluminado aos túneis de pedra — exige uma transmissão que suporte variações de contraste e cor, garantindo que o espetáculo visual planejado pelo diretor de fotografia Dan Laustsen seja entregue sem perdas para quem assiste em casa.