Sobrepeso multiplica a carga sobre o joelho e acelera lesões que poderiam ser evitadas. Entenda os riscos e saiba quando procurar um especialista.
A cada quilograma acumulado acima do peso ideal, a articulação do joelho recebe uma carga extra de até quatro quilogramas durante atividades simples como caminhar ou subir escadas. O dado, amplamente referenciado em estudos de biomecânica articular, ajuda a explicar por que o número de cirurgias ortopédicas no joelho não para de crescer no Brasil.
Segundo o IBGE, 60,3% da população brasileira adulta está com sobrepeso. Um em cada quatro brasileiros acima de 18 anos já se enquadra no critério de obesidade.
A Organização Mundial da Saúde classifica a condição como doença crônica e a associa diretamente ao aumento de problemas articulares, com destaque para a osteoartrite de joelho, que atinge cerca de 10% dos homens e 18% das mulheres acima dos 60 anos.
O joelho é uma das articulações mais exigidas do corpo humano. Sustenta peso, absorve impacto e permite movimentos de flexão, extensão e rotação. Quando a carga sobre ele ultrapassa o que a estrutura foi projetada para suportar, a degradação começa silenciosa e pode levar anos até se manifestar com dor, inchaço ou limitação de movimento.
A mecânica do desgaste
Na explicação do Dr. Ulbiramar Correia, ortopedista especialista em joelho em Goiânia, a cartilagem articular do joelho funciona como um revestimento entre os ossos. Ela distribui a carga de forma uniforme e permite o deslizamento suave das superfícies ósseas durante o movimento.
Em condições normais, esse tecido se mantém funcional por décadas. Mas a cartilagem não possui vasos sanguíneos e tem capacidade de regeneração muito limitada. Quando submetida a sobrecarga crônica, ela sofre microfissuras que se acumulam sem reparo adequado.
O excesso de peso acelera esse processo de duas maneiras. A primeira é mecânica: mais peso significa mais pressão sobre a articulação a cada passo. Uma pessoa com 10 quilos acima do peso ideal impõe ao joelho uma sobrecarga equivalente a 40 quilos extras durante a caminhada. Em atividades de maior impacto, como subir escadas ou correr, a multiplicação da carga é ainda maior.
A segunda via é inflamatória. O tecido adiposo em excesso não é apenas um depósito de energia. Ele funciona como um órgão endócrino ativo, capaz de liberar substâncias inflamatórias que circulam pelo corpo.
Essas substâncias atingem as articulações e contribuem para a degradação da cartilagem mesmo em regiões que não suportam carga direta, como as mãos. No joelho, onde a sobrecarga mecânica já existe, o efeito inflamatório amplia o dano.
Um problema que não dói no começo
A osteoartrite de joelho raramente dá sinais evidentes nos estágios iniciais. O desconforto começa discreto, aparece ao final do dia ou após períodos longos em pé, e desaparece com o repouso. A tendência natural é atribuir a dor ao cansaço, à idade ou ao tipo de calçado. Essa interpretação atrasa a busca por avaliação médica em meses ou até anos.
Enquanto o paciente aguarda, a cartilagem continua se deteriorando. Quando a dor se torna persistente e começa a limitar atividades cotidianas, o desgaste já atingiu camadas mais profundas. Nessa fase, as opções de tratamento conservador se reduzem e a possibilidade de intervenção cirúrgica se aproxima.
Dados do DATASUS mostram que as artroplastias de joelho no Brasil seguem em expansão. Entre 2008 e 2015, foram registradas mais de 189 mil cirurgias de joelho e quadril no sistema público, com tendência de crescimento interrompida apenas durante a pandemia. Nos anos seguintes, o volume de procedimentos se recuperou e atingiu patamares superiores aos do período pré-pandêmico.
Parte desse aumento reflete o envelhecimento da população. Projeções do IBGE indicam que o número de brasileiros com mais de 60 anos deve ultrapassar 58 milhões até 2060. Mas o envelhecimento sozinho não explica o fenômeno.
O crescimento da obesidade entre adultos jovens e de meia-idade está antecipando em uma ou duas décadas o aparecimento de problemas articulares que antes eram reservados à terceira idade.
Lesões esportivas e sobrepeso: a combinação que multiplica riscos
O perfil do paciente com problemas no joelho mudou. Não se trata mais apenas do idoso com artrose avançada. Há um contingente crescente de adultos entre 30 e 50 anos que mantêm rotina de atividade física irregular, com excesso de peso e sem acompanhamento prévio.
A corrida de rua e o futebol recreativo são os dois cenários mais frequentes de lesões no joelho entre brasileiros. No futebol, o mecanismo clássico de ruptura do ligamento cruzado anterior (LCA) acontece quando o pé fica fixo no solo e o corpo rotaciona.
A incidência de lesão do LCA varia entre 30 e 78 casos por 100 mil pessoas ao ano, e em 50% a 70% dessas ocorrências há comprometimento simultâneo do menisco.
Quando o paciente que sofre essa lesão está acima do peso, o cenário se complica. A recuperação pós-cirúrgica é mais lenta, o risco de complicações como trombose venosa profunda é maior e os resultados funcionais tendem a ser inferiores.
Estudos publicados na Revista Brasileira de Ortopedia apontam correlação direta entre o índice de massa corporal e a pontuação funcional após artroplastias de joelho: quanto maior o IMC, pior o desempenho nas escalas de avaliação.
Conforme esclarecido por um ortopedista em Goiânia, a avaliação médica antes de iniciar qualquer programa de exercícios é o que separa a atividade física segura da lesão evitável.
O exame clínico identifica fatores de risco como desalinhamentos articulares, fraqueza muscular localizada e graus iniciais de desgaste cartilaginoso. Com essas informações, o médico orienta o tipo de atividade mais seguro e a intensidade adequada para cada caso.
O que a demora no diagnóstico custa ao paciente
Um levantamento da Revista Brasileira de Ortopedia sobre artroplastias no SUS revelou disparidades regionais preocupantes. As regiões Sul e Sudeste concentram os melhores índices assistenciais, com 8,07 e 6,07 cirurgias de joelho por 100 mil habitantes, respectivamente.
No Norte e Nordeste, esses números caem de forma significativa, o que sugere uma combinação de falta de acesso, escassez de especialistas e diagnóstico tardio.
Quando o desgaste articular é identificado cedo, há uma janela de tratamento conservador que pode preservar a articulação por anos. Fisioterapia direcionada ao fortalecimento de quadríceps, isquiotibiais e musculatura do quadril reduz a carga sobre a cartilagem.
Controle do peso corporal, ajuste de atividades de impacto e, em alguns casos, infiltrações com ácido hialurônico compõem o arsenal terapêutico antes da cirurgia.
O problema é que essa janela se fecha com o tempo. A cartilagem que se perdeu não se regenera. E o paciente que chega ao consultório com dor intensa, limitação funcional e desgaste avançado muitas vezes tem como única alternativa viável a substituição da articulação por uma prótese.
Os registros internacionais mostram que próteses de joelho atuais apresentam durabilidade elevada, com cerca de 90% dos implantes funcionando bem após 20 anos.
Mas a cirurgia não é isenta de riscos, exige meses de reabilitação e impõe limitações permanentes a algumas atividades. Por isso, o consenso entre especialistas é claro: quanto antes o problema for detectado, mais opções o paciente terá.
Goiânia como referência em ortopedia
O Centro-Oeste vem se consolidando como polo de atendimento em ortopedia. Goiânia concentra 85% das artroplastias de joelho realizadas pelo SUS em todo o estado de Goiás, conforme análise publicada pela revista do CEREM-GO com base em dados do DATASUS. A cidade reúne serviços credenciados pela Sociedade Brasileira de Cirurgia do Joelho (SBCJ) e profissionais com formação em centros de referência nacionais.
Dados do setor de turismo médico reforçam esse papel. Estima-se que 57% dos visitantes que chegam a Goiânia para tratamento de saúde buscam atendimento especializado, incluindo procedimentos ortopédicos. Essa concentração de serviços facilita o acesso a segunda opinião, algo particularmente relevante em casos que envolvem indicação cirúrgica.
A escolha do profissional que vai conduzir o tratamento não é uma decisão menor. Verificar a formação, a subespecialização, o volume cirúrgico e a filiação a sociedades médicas reconhecidas são critérios que fazem diferença no resultado.
Segundo os melhores ortopedistas de Goiânia, o joelho que recebe tratamento precoce responde melhor ao manejo conservador e tem prognóstico cirúrgico superior quando comparado aos casos em que o paciente aguardou anos para buscar avaliação.
O que fazer antes que a dor decida por você
A prevenção de lesões graves no joelho passa por três eixos que se complementam: controle do peso, fortalecimento muscular e diagnóstico precoce.
O controle do peso é a variável de maior impacto. A perda de 5 quilos em uma pessoa com sobrepeso representa 20 quilos a menos de pressão sobre cada joelho a cada passo. Não se trata de estética, mas de biomecânica.
A articulação foi projetada para suportar um determinado limite de carga, e ultrapassar esse limite de forma crônica é o caminho mais curto para o desgaste irreversível.
O fortalecimento muscular funciona como um amortecedor biológico. Músculos fortes ao redor do joelho absorvem parte do impacto que, de outra forma, recairia inteiramente sobre a cartilagem e os ligamentos.
Quadríceps, isquiotibiais, glúteos e panturrilhas são os grupos musculares prioritários. O trabalho precisa ser orientado por um profissional, especialmente quando já existe algum grau de dor ou instabilidade.
Especialistas em ortopedia do COE, centro ortopédico localizado em Goiânia, garantem que o diagnóstico precoce fecha o ciclo. Dores recorrentes no joelho, estalos frequentes, inchaço após atividade física e sensação de falseio são sinais que merecem investigação.
A ressonância magnética é o exame padrão para avaliar cartilagem, meniscos e ligamentos, com sensibilidade superior a 95% para lesões do LCA. Quanto mais cedo o paciente chega ao especialista, mais tratamentos ele tem à disposição e menor é o risco de precisar de cirurgia.
O joelho não avisa antes de falhar. Mas os fatores de risco, esses sim, estão à vista de quem souber procurar. Sobrepeso, sedentarismo, atividade física sem orientação e histórico de lesões não tratadas formam um conjunto previsível. O momento de agir é enquanto ainda há cartilagem para preservar.










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