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ergonomic

Artrose de quadril ainda demora a ser identificada e agrava a perda de movimento

O desgaste da articulação coxofemoral cresce em ritmo acelerado e pode levar à incapacidade quando o tratamento demora

Em 2020, cerca de 595 milhões de pessoas conviviam com osteoartrite em alguma articulação do corpo. A projeção do estudo Global Burden of Disease, publicado na revista The Lancet Rheumatology, estima que esse número pode se aproximar de 1 bilhão até 2050. Entre todas as articulações, o quadril é a que registra o maior crescimento percentual anual de novos casos, de acordo com os mesmos dados.

No Brasil, estimativas apontam que 12 milhões de adultos tenham algum grau de osteoartrite. Depois dos 65 anos, 85% apresentam sinais radiológicos da doença, embora nem todos desenvolvam sintomas.

A questão é que, entre o início do desconforto e a busca por ajuda especializada, muitos pacientes perdem tempo com tratamentos genéricos ou simplesmente convivem com a dor por anos, até que as opções terapêuticas fiquem reduzidas.

A articulação do quadril conecta a cabeça do fêmur ao acetábulo, uma espécie de encaixe na bacia. Uma camada de cartilagem reveste as duas superfícies e permite que o movimento aconteça sem atrito.

Quando essa cartilagem se desgasta, osso passa a tocar osso. A dor se instala, a mobilidade diminui e atividades simples, como calçar um sapato, cruzar as pernas ou entrar no carro, ficam comprometidas.

O que está por trás do aumento de casos

A Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta que, a partir dos 60 anos, 10% dos homens e 18% das mulheres convivem com osteoartrite sintomática. O envelhecimento da população, o sedentarismo prolongado e a obesidade formam a combinação que mais acelera o desgaste articular.

No caso do quadril, há fatores adicionais. Alterações congênitas na forma da articulação, sequelas de fraturas anteriores e o impacto femoroacetabular, uma condição em que a anatomia do fêmur e do acetábulo gera atrito excessivo durante certos movimentos, são causas frequentes de artrose em pacientes mais jovens.

A necrose avascular da cabeça femoral, provocada pela interrupção do fluxo sanguíneo para o osso, também responde por uma parcela significativa dos casos que avançam para a necessidade cirúrgica.

No Brasil, dados do Ministério da Previdência Social mostram que, entre 2009 e 2013, foram registrados mais de 1.200 trabalhadores afastados de suas atividades por coxartrose, a classificação formal da artrose de quadril no CID-10.

Conforme a avaliação dos médicos ortopedistas do COE, serviço de ortopedia em Goiânia, embora o número pareça modesto, ele reflete apenas os afastamentos formais e não captura os milhões de brasileiros que seguem trabalhando com dor, adaptando a rotina e adiando a consulta.

O preço do diagnóstico que demora

A coxartrose começa de forma lenta. O primeiro sinal costuma ser um incômodo na virilha ou na região glútea que melhora com repouso. Com o tempo, a dor aparece ao caminhar, ao subir escadas, ao se levantar de uma cadeira.

O paciente reduz o passo, passa a mancar e compensa o movimento sobrecarregando a coluna e o joelho do lado oposto. Quando procura ajuda médica, em muitos casos a cartilagem já está gravemente comprometida.

Dados do DATASUS indicam que, entre 2012 e 2021, o Sistema Único de Saúde registrou 251.413 procedimentos de artroplastia do quadril em todo o país.

A região Sudeste concentrou 50,8% das cirurgias, enquanto Norte e Nordeste apresentaram taxas muito inferiores em relação ao tamanho de suas populações. A desigualdade no acesso é parte do problema: muitos pacientes que precisam da cirurgia simplesmente não conseguem realizá-la.

A técnica mais utilizada nesse período foi a artroplastia total não cimentada, responsável por 33,1% dos procedimentos, seguida da artroplastia parcial, com 29,2%. A evolução dos materiais e das técnicas cirúrgicas nas últimas décadas ampliou a durabilidade dos implantes.

Estudos de acompanhamento prolongado mostram que mais da metade das próteses de quadril pode ultrapassar 25 anos de uso, a depender do tipo de implante, da técnica empregada e do perfil do paciente.

Quando o tratamento conservador não basta

Nem todo desgaste no quadril exige cirurgia. Nas fases iniciais da coxartrose, o tratamento conservador é a primeira linha de abordagem: fortalecimento muscular, controle de peso, fisioterapia e, quando necessário, uso de anti-inflamatórios e analgésicos sob orientação médica.

A infiltração com ácido hialurônico também pode ser uma alternativa para reduzir o atrito e melhorar a lubrificação articular em quadros moderados.

O ponto de virada acontece quando a dor persiste mesmo com todas essas medidas, quando o exame de imagem mostra contato direto entre os ossos e quando o paciente já perdeu qualidade de vida de forma significativa.

Nesse estágio, a artroplastia total de quadril, a substituição da articulação por uma prótese, passa a ser a indicação mais eficaz para aliviar a dor e restaurar a mobilidade.

Para os beneficiários de planos de saúde em Goiás, como o Ipasgo Saúde, que atende mais de 580 mil servidores públicos e seus dependentes, o acesso a um ortopedista especialista em quadril do Ipasgo pode encurtar o caminho entre a dor persistente e o tratamento correto.

A avaliação com um profissional que se dedica exclusivamente à articulação coxofemoral faz diferença porque o quadril exige diagnóstico diferenciado: dor na virilha pode ter origem articular, muscular, tendínea ou até lombar, e errar a causa significa perder tempo.

O que mudou na cirurgia de prótese de quadril

A artroplastia total do quadril é considerada um dos procedimentos mais bem-sucedidos da ortopedia moderna. O cirurgião remove as superfícies articulares danificadas e instala componentes artificiais, um no acetábulo e outro no fêmur, que reproduzem o movimento da articulação natural.

O procedimento dura entre uma hora e uma hora e meia na maioria dos casos, e a anestesia mais utilizada é a raquianestesia, que bloqueia a dor da cintura para baixo.

A evolução dos implantes permitiu que pacientes mais jovens e mais ativos fossem operados com boas perspectivas de longo prazo. As próteses não cimentadas, fixadas diretamente ao osso, se tornaram a opção mais frequente no Brasil e representam a maioria das cirurgias realizadas pelo SUS nos últimos anos.

Os materiais avançaram: superfícies de cerâmica contra polietileno de alta resistência reduziram o desgaste e a necessidade de revisão cirúrgica.

A reabilitação também mudou. O paciente costuma levantar da cama e dar os primeiros passos no dia seguinte à cirurgia. O protocolo de recuperação envolve fisioterapia orientada, fortalecimento progressivo dos músculos do glúteo e controle da marcha.

Em geral, o retorno às atividades cotidianas acontece em dois a três meses, embora o processo completo de recuperação muscular possa se estender por até seis meses.

A importância da escolha do profissional e do centro de tratamento

A artrose de quadril tem nuances que exigem experiência específica. Decidir entre tratamento conservador e cirúrgico, escolher o tipo de prótese mais adequado para cada paciente e conduzir a reabilitação de forma individualizada são etapas que dependem de um profissional com formação dedicada à articulação coxofemoral.

Em Goiânia, a ortopedia de quadril se consolidou como uma das áreas de referência na cidade. Pacientes que precisam de avaliação cirúrgica têm buscado clínicas com especialistas em artroplastia total de quadril que reúnam equipe multidisciplinar, incluindo não apenas o cirurgião, mas também fisioterapeutas, nutricionistas e outros profissionais envolvidos na recuperação completa.

“O resultado da prótese de quadril depende tanto da técnica cirúrgica quanto do que acontece antes e depois da sala de operação”, explica o ortopedista Tiago Bernardes, especialista em cirurgia do quadril, formado pela Escola Superior de Ciências da Saúde (ESCS/DF), com residência no Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Goiás (HC/UFG) e membro da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT) e da Sociedade Brasileira de Quadril (SBQ).

Segundo ele, a avaliação pré-operatória completa e o planejamento cirúrgico individualizado são tão relevantes quanto o procedimento em si.

Sinais de que é hora de procurar um especialista

A artrose de quadril progride de forma silenciosa. O paciente se adapta à limitação, muda a forma de caminhar, abandona atividades que antes eram naturais e muitas vezes normaliza a dor.

Alguns sinais indicam que a consulta com um ortopedista de quadril não deve ser adiada: dor na virilha que piora ao caminhar ou subir escadas, dificuldade para calçar meias ou amarrar sapatos, rigidez ao levantar após ficar sentado por muito tempo, sensação de que a perna encurtou ou mancar involuntário ao final do dia.

Quanto mais cedo o diagnóstico, maiores as chances de preservar a articulação. Em pacientes jovens com impacto femoroacetabular ou lesões do lábio acetabular, tratamentos artroscópicos podem retardar ou até evitar a necessidade de prótese.

De acordo com ortopedistas de quadril em Goiânia, em pacientes com artrose avançada, a cirurgia feita no momento adequado evita a perda muscular prolongada e o comprometimento de articulações vizinhas.

A perspectiva de envelhecimento da população brasileira reforça a urgência desse cuidado. A projeção do IBGE indica que, até 2050, 30% da população terá mais de 60 anos.

Com mais pessoas vivendo mais tempo e mantendo expectativas de autonomia, o tratamento da artrose de quadril vai exigir uma estrutura de atendimento mais ampla e mais especializada.

Buscar avaliação qualificada antes que a dor se torne incapacitante é, provavelmente, a decisão mais prática que o paciente pode tomar.